quinta-feira, 23 de abril de 2015

PRIMEIRA INTERVENÇÃO- CANTIGA DE RODA " A BARATA DIZ QUE TEM".


Antes de descrever aqui sobre as primeiras intervenções na sala de 2º ano, quero dizer o quanto foi diferente para mim tais intervenções, pois ano passado no PIBID experienciei intervenções em uma sala de 5º ano , a qual os meninos já estavam em nível de produção de texto, Leitura e interpretação,  como fundamentação teórica utilizamos a autora Naspolini (1996), a qual dava dicas de aprendizagem em relação a leitura no sentido de  interpretação e produção textual.
 Depois dessa vivência veio o segundo desafio, trabalhar em uma sala de 2º ano, a qual precisamos de uma base teórica de alfabetização e letramento, assim utilizamos os autores Mendonça e Mendonça (2007).
 Contudo percebir  que sair de uma sala em que os alunos praticavam o ler para aprender e mudei para uma que os alunos precisam praticar o aprender a ler. Segundo Vasconcelos (2006) " O processo de alfabetização refere-se ao momento de aprender a ler. O restante da escolaridade, e da vida, refere-se aos momentos de ler para aprender". Dessa forma quando o aluno  passa a decodificar o código de escrita , ele vai apenas  ler para aprender, ou seja,  decifrar significados e conceitos de um certo texto.

Após expor meu  sentimento a respeito dessa mudança no contexto da escola, vou expor a respeito dos primeiros dias de intervenção na sala de 2º ano.


 A intervenção ocorreu nos dias 16 e 17/04, tal intervenção se baseou no trabalho com cantigas de roda, para a partir da mesma trabalhar uma palavra geradora e desenvolver os  passos  do método sociolinguistico de Paulo Freire, associado as atividades de nível de escrita de Emilia Ferreiro e Teberoky. No primeiro dia trabalhamos a palavra geradora Barata e no segundo a palavra geradora Sapato.


 No dia 16/04 escrevemos a palavra Barata no quadro para acionar os mecanismos de codificação e o  de descodificação a partir da apresentação da cantiga  "A Barata diz que tem" a qual cantamos junto com os alunos. Segundo  Mendonça e Mendonça (2007) :



codificação é a representação de um aspecto da realidade expresso pela palavra geradora, por meio de oralidade, desenho, dramatização, mímica, música e de outros códigos que o alfabetizando domina 2) descodificação é a releitura da palavra geradora para superar as maneiras ingênuas de compreender o mundo, através de discussão crítica e do subsídio do conhecimento universal acumulado”.


Posteriormente aos mecanismos de codificação e descodificação,  iniciamos o processo de análise e síntese da palavra geradora, o qual Mendonça e Mendonça (2007) ressaltam que   proporciona a descoberta de que a palavra escrita representa a falada, através da divisão das sílabas e apresentação de suas famílias e depois a junção dessas sílabas das famílias para formar novas palavras . Depois de tal processo, o qual trabalhou a  parte  linguística da palavra,  aplicamos as atividades de acordo aos níveis de escrita dos alunos.

Já no  dia 17/04 utilizamos novamente a cantiga de roda, porém trabalhamos com a palavra geradora Sapato, desenvolvendo o mesmo processo da palavra geradora Barata, logo depois aplicamos novamente atividade escrita de acordo ao nível de cada aluno. 

Portanto, a experiência na primeira intervenção me proporcionou fazer uma articulação entre a teoria e a prática, a qual me permitiu através da base teórica do método de Freire,  por em prática os passos usados para trabalhar sílaba de forma contextualizada, diferentemente do método da cartilha que trabalhava pedaços soltos sem significado.  

 Logo depois de por em prática pude refletir a respeito do meu modo de agir, e nessa reflexão percebir que preciso melhorar na parte de codificação e descodificação da palavra geradora , pois acho que devo estimular mais  os alunos tanto a expor mais seus conhecimentos prévios quanto para  mudar a forma de pensar a partir da problematização. Percebir também o quanto alguns alunos se desenvolveram nesse intervalo do diagnóstico até a primeira intervenção, como por exemplo uma aluna do silábico que já apresenta alguns avanços, os quais constatei no modo como ela fazia as atividades propostas.


 Quero ressaltar também sobre a importância de ser reflexivo a partir de sua prática, pois foi aqui sentada nessa cadeira em frente ao computador refletindo sobre minha intervenção que pude perceber o quanto ainda não conseguir aprimorar na prática a codificação e descodificação, por que na teoria sei conceituar o que é, porém na prática ainda não desenvolvo tão bem. Dessa forma afirma Nunes (2001, p.30)  que “Essa tendência reflexiva vem-se apresentando como um novo paradigma na formação de professores, sedimentando uma política de desenvolvimento pessoal e profissional dos professores e das instituições escolares”. Assim percebe-se que tal reflexão desenvolve tanto o profissional quanto o pessoal dos docentes.

 Eu enquanto estudante da formação inicial ainda não tinha percebido o quanto essa reflexão era fundamental,  por que nas discussões teóricas eu sabia dessa importância, mas nunca havia sentido,  e ressalto que  apenas saber da importância de algo é diferente de sentir, pois ao fazer intervenção estamos ali fazendo o papel de professor, utilizando assim de vários mecanismo para o controle da sala e até mesmo artifícios para envolver os alunos nas aulas,  ao voltar a pensar sobre isso nos faz ver caminhos que não passamos naquela aula e que podemos passar a a partir da reflexão a cerca com que seria preciso melhorar.


Contudo a primeira intervenção me proporcionou a construção de  novos significados em relação a prática docente, me fez enxergar através da reflexão qual a dificuldade e no que eu precisaria melhorar. Isso tudo está possibilitando a construção da minha identidade profissional,  para saber realmente qual o perfil de docente que estou me tornando e qual pretendo me tornar. e com certeza quero ser uma professora que sempre reflita a respeito da prática, desenvolvendo assim a práxis, a qual  Freire afirma ser  a relação dialética entre ação e reflexão,  para que a teoria não fique presa somente ao idealismo e a prática somente ao ativismo.  




                                                     Intervenção na sala do 2º ano.





ANÁLISE DO DIAGNÓSTICO - 2° ANO

   

 Após aplicação do diagnóstico houve uma reunião com a coordenadora  e supervisora do projeto. Primeiramente  fizemos uma discussão teórica do texto de Ângela Freire que tratava dos níveis de escrita de Emília Ferreiro e o construtivismo. Posteriormente começamos a analisar as atividades e detectamos os níveis de escrita que os mesmos se encontravam. Foi constatado que a maioria se encontrava no nível pré-silábico,  que segundo Freire (2014) é o nível em que  “a criança não consegue compreender o sistema alfabético, ou seja, não fazem correspondência da grafia e som, já conhece algumas letras do alfabeto, mas as utiliza aleatoriamente”.  Já  a minoria dos alunos estavam nos outros níveis. Dessa forma  com essas informações construímos gráficos em relação ao que foi detectado tanto na leitura quanto na escrita dos alunos e comentamos sobre os gráficos para as possíveis intervenções que tinha como objetivos o avanços dos alunos de um nível de escrita para o outro.

Portanto tal experiência me proporcionou um conhecimento prático a cerca dos níveis de escrita de Ferreiro e Teberoky, o que nos deixa seguros ao pensar na nossa prática futura em sala de aula enquanto pedagogos.




                                             Reunião da análise do diagnóstico