segunda-feira, 14 de março de 2016

A MINHA TRAJETÓRIA FORMATIVA NO PIBID




A minha trajetória na última reunião do PIBID foi representada através de uma costura. Primeiramente costurei missangras envolvidas por linhas para representação das teorias interligadas, que nos proporcionava acionar os nossos neurônios para refletir sobre todos os textos estudados. Costurei um monitor para representar os momentos de interação no mundo digital, uns retalhos de pano soltos para simbolizar o momento da junção de ideias de cada um de nós, onde cada um era representado por um pedaço de retalho, retalhos esses que juntos se transformavam em uma grande ação planejada por nós. Costurei um pano com espinhos para mostrar que na prática encontramos dilemas, ou seja, nem tudo são flores, pois até a rosa tem espinhos. E por ultimo costurei um pedaço de pano com flores, o que representa o momento que estou agora, momento esse de consciência do que vou enfrentar enquanto docente, e momento de segurança por conta desse conhecimento que o PIBID me proporcionou, o qual me levou para o chão da escola.
No inicio começamos pela luz das teorias, onde eram feitos estudos e discussões em grupo, de textos sobre formação, pesquisa, chão da escola e etc. Alguns desses textos foram: “Para além da divisão entre professor pesquisador e professor acadêmico” de Kenneth M. Zeichner;  “A etnografia como paradigma de construção do processo de conhecimento em educação”; “A escola como espaço sócio-cultural” do autor Juarez Tarcisio Dayrell; “Entrevista reflexiva: “Um olhar psicológico sobre a entrevista em pesquisa” ; “ Escola: crise ou mutação? do autor Rui Canário.
Antes de tais discussões eram feitos de forma individual a construção de resumos, resenhas, mapas conceituais. Era um momento de bastante aprendizagem, pois trocávamos ideias a cerca do nosso entendimento dos textos, as professoras supervisoras e coordenadora que tinham mais experiência associavam esses textos as vivências na prática, o que nos ajudava a fazer certa associação e aumentar o olhar que iríamos ter na possível prática futura.
Além disso, houve também um momento de interação no mundo digital, no qual fizemos o uso de instrumentos como o ambiente moodle, ambiente esse que nos proporcionava variedades de instrumento de interação como, por exemplo, fóruns de discussões, chat, wiki ( possibilitava a construção de um texto coletivo). Houve também a criação  de página no facebook, para discussões de texto, postagens de fotos das intervenções entre outros.
 Logo depois ao ambiente moodle e página no face houve a  construção do blog, nele fazíamos o registro das nossas experiências em sala de aula, e não era um registro qualquer, ele nos possibilitava a reflexão da nossa ação em sala de aula, e foi a partir das reflexões que eu fazia nele que fui percebendo quais eram minhas dificuldades em sala de aula e me preparava para tentar supera-las. Acessar todas essas páginas nos permitiu a exploração de um novo ambiente de aprendizagem, no qual poderíamos nos comunicar de diversos lugares, eu uma única página, sobre um determinado assunto e também ter acesso a reflexão da ação do outro.
Logo após o mundo digital, fizemos a preparação para adentrar no universo de sala de aula, primeiramente organizamos o diagnóstico de leitura e escrita na serie que iríamos acompanhar durante o ano, e após a aplicação do diagnóstico e sua análise houve organização em grupos para a aplicação de intervenção na sala, com o objetivo de adquirir experiências e resolver alguns problemas constatados pelo diagnóstico, momento o qual costuramos nossas ideias até se tornar o plano de aula. Assim tive uma experiência na sala de 5° ano e outra na de 2° ano.
 A minha primeira experiência foi na sala de 5º ano da professora Carmem, uma classe que antes de adentrar nos preparamos teoricamente com a ajuda do livro “Didática do Português: tijolo por tijolo:leitura e interpretação” da autora Ana Tereza Naspolini, a qual discute sobre as características de uma boa atividade, tipos, estratégias de leitura, classificação dos textos. Discute também sobre algumas considerações a respeito da escrita, traz algumas ideias de Emilia Ferreiro, estratégias de leitura, sugestões para intervenção do professor na atividade, elementos da narrativa;  análise de textos;  discorre também sobre os tipos de gramática, analise da gramática nos textos e sobre  a teoria de Piaget e Vygotsky sobre o conhecimento.
Após estudo e discussão do livro de Naspolini elaboramos diagnóstico baseado no mesmo e aplicamos na sala, depois da aplicação fizemos a análise e constatamos as demandas da sala. A partir da constatação dessas demandas começamos as nossas intervenções promovendo várias atividades de leitura baseadas no livro e também a partir da nossa criatividade, tais atividades eram: reescrita de narrativas, interpretação de texto, tanto do conteúdo e tanto de forma crítica, localização de título de texto, localização do conteúdo do título, entre outros. Além dessas atividades foi elaborada a proposta de produções de texto com scrapbook, sendo essa uma caixa  de recorte de reescrita de narrativas organizadas com imagens e enfeitadas com alguns acessórios para ser guardada na caixa enfeitada com arte e foto do aluno. Momento esse tão produtivo que incentivou bastante o aluno a desenvolver a escrita do seu texto. Serviu de incentivo por que o aluno era informado sobre a estrutura do texto a ser reescrito e conteúdo, para assim aprender a desenvolver a sequencia lógica dos textos, criando assim mais tarde texto com coerência e coesão e não frases soltas sem sentidos. Dessa forma a experiência com a sala do quinto ano me possibilitou grandes aprendizagens, pois através da relação dialética entre a teoria e a prática das atividades percebi como realmente se trabalha leitura na sala de aula, e como a teoria me deu suporte para trabalhar  a leitura e escrita na prática, e como a prática me permitiu a reflexão daquilo que a teoria me deu base.
Após a minha experiência na sala do 5° ano, comecei a vivenciar as experiências de uma sala de 2° ano da professora Josiene, sendo essa uma mudança e tanto, pois são anos com demandas bastantes diferentes. Foi como se eu tivesse saindo da demanda do ler para aprender para a do aprender a ler. Nessa sala vivi um grande desafio da atualidade, ou seja, o desafio de alfabetizar.
Para adentrar nesse mundo das crianças de 2° ano da professora Josiene ano tivemos como base teórica o livro “Alfabetização: método sociolinguístico: consciência social, silábica e alfabética em Paulo Freire” dos autores Onaide Schwartz Mendonça e Olympio Correa Mendonça , no qual discutem sobre o histórico dos métodos da alfabetização no Brasil, perpassando pelo método de soletração, fônico, silábico entre outros e falando sobre pontos negativos da cartilha,  abordam também sobre as visões equivocadas, consequências e a contribuição do construtivismo no Brasil, mostrando o quanto a visão errada do mesmo trouxe grandes prejuízos na aprendizagem do aluno. Além disso os autores  mostram como funciona o método sociolinguístico de Alfabetização no Brasil, o qual utiliza uma palavra geradora e  nos dão sugestões de como é na prática o método sociolinguístico.
Após esse aprofundamento teórico elaboramos um diagnóstico de leitura e escrita baseando- se no livro de Mendonça e Mendonça (2007) e nos descritores de leitura e escrita propostos pelo Ministério de Educação e Cultura ( MEC). Depois aplicamos em sala e através dos resultados constatamos as demandas da sala e começamos a planejar intervenções que ajudassem os alunos a avançar nos níveis de leitura e escrita.
A cada nova intervenção ficava maravilhada com os avanços das crianças, pois as mesmas cada vez mais iam se envolvendo nesse mundo da leitura e escrita e era possível se perceber o quanto elas iam avançando de nível, pois algumas  crianças que só conheciam as letras começaram a ler palavras, outras da escrita pré silábica avançaram para a alfabética e entre outros. Confesso que essa experiência na sala de 2° ano enfrentei como um desafio  de alfabetizar, era como se eu me colocasse no lugar da professora da sala, e internalizasse essa responsabilidade como minha também, pois com os problemas de alfabetização que temos hoje em dia, observamos que muitas crianças  chegam ao 5° ano e não apresentam habilidades em leitura e escrita, vejo como uma vitória o avanço na leitura e escrita dessas crianças de 2°, as quais chegarão ao 5° ano sem esse problema de leitura e escrita. Tais alunos vejo como o espelho dos alunos da professora Carmem, que chegaram ao 5° ano com bastante habilidade de leitura, aos quais eram aplicadas atividades de leitura para aprender, e não de leitura para aprender a leitura propriamente dita.
As duas experiências, a primeira na sala da professora Carmem e a segunda na sala da professora Josiene me fez perceber o quanto o ambiente de sala de aula é complexo, ambiente esse que você está a todo momento lidando com várias situações que devem ser resolvidas com rapidez e eficácia. Nesse momento percebi  que uma sala de aula não vive só de flores e sim que os professores enfrentam  dilemas em seu dia a dia. Eu mesmo refletindo sobre minha ação percebir alguns dilemas dessa minha formação inicial, um deles é atender o individual e o coletivo ao mesmo tempo, outro era o desenrolar do processo de codificação que as vezes ficava meio sem jeito e tantos outros que vou descobrir a medida que for refletindo minha prática em sala de aula.
Após todas essa experiências me dei conta  o quanto estou segura para entrar em sala de aula, o quanto estou consciente dos desafios que vou enfrentar na carreira docente, e o quanto de bagagem o PIBID  permitiu que  levasse comigo nesse caminho de formação inicial, possibilitando  assim um desejo de que os estudantes de licenciatura aproveitem a oportunidade que o PIBID lhes proporciona, pois o mesmo me permitiu um grande crescimento. Crescimento esse que não foi só na academia e sim pessoal, pois o sentimento de empatia nos possibilita ter um olhar diferenciado para com o outro, e foi assim que eu e meus colegas olhamos  para aquelas crianças, nos colocamos no lugar delas, em seu mundo, para assim motivar a mesma a aprender a ler para que possa ver o mundo não só através da oralidade e sim através da leitura e escrita.

 
exposição dos scrapbooks construídos pelos alunos - 1
Festa de final de ano  dos alunos do 2° ano - grandes avanços

exposição scrapbooks -2



Momento que eu estava sendo presenteada por uma aluna
Fiquei muito feliz com o avanço dela.

   


17 comentários:

  1. Fiquei emocionada ao ler sua narrativa. Você demonstra implicação com sua formação e acima de tudo com os alunos da escola. Isso é fundamental para o professor. Queria te questionar: Como a pesquisa e a reflexão vem contribuindo para a sua formação? Como era o momento de sentar e narrar no blog as experiências de sala de aula?

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    1. Pró Socorro a pesquisa e a reflexão para mim foram pontos chaves, pois a medida que pesquisava achava coisas novas para vivenciar em sala de aula, e a medida que vivenciava reservava um pouco de tempo para refletir a respeito da ação, e foi nessa reflexão que percebi os meus dilemas em sala de aula, E assim criava estratégias para tentar supera-los na ação. ou seja, ação-reflexão-ação.

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  2. Parabéns Átila!

    Na sua narrativa fica claro o seu comprometimento com seu processo de formação, além disso a capacidade de descrever com riqueza de detalhes os momentos vivenciados em sala de aula e as aprendizagens desenvolvidas no chão da escola são fundamentais para a ressignificação da docência!
    Continue trilhando seu percurso com a mesma dedicação e afinco apresentado durante a sua participação no PIBID. Desejo a vocês todas as realizações almejadas! Um grande abraço!

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    1. obrigada pró Ivana, não se preocupe, sempre cuidarei da minha formação com a mesma dedicação, pois o PIBID me fez crescer muito, tanto no pessoal quanto profissional.

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  3. Querida!
    Amei sua narrativa, principalmente o inicio que tem uma pegada poética.
    Realmente você descreveu cada fase que passos com riquezas de detalhes, isso mostra o quanto esse programa foi importante na sua formação.

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    1. Achei engraçado quando tu falou que comecei com a pegada poética. Obrigada pelas palavras, realmente Mille o PIBID foi bastante significativo na minha iniciação a docência.

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    2. Parabéns Atylla, seu relato é bastante rico! Sucesso pra você...Adorei sua pegada poética rsrsrs!!

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    3. OLÁ Anderson,pegada poética é ótimo kkk. Obrigada pelas suas palavras.

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  4. Olá Átila!
    Sua narrativa é bem reflexiva.
    Gostaria de saber qual a importância da relação teoria e prática na formação docente?

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    1. olá Camila, a relação dialética entre teoria e prática é bastante significativa na formação docente por que nos permite ampliar o olhar sobre a prática através da teoria, colocar a teoria em prática, e refletir sobre essa prática.

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  5. Átila a sua narrativa esta de parabéns!
    você descreveu muito bem suas experiências no Pibid,deixando claro de como o programa foi importante na sua caminhada acadêmica.

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  6. Atii !
    Gostei muito da sua narrativa , você trouxe reflexões muito relevantes e construtivas , sempre mostrando o que de conhecimento cada discussão em grupo lhe proporcionou e isso que é importante , refletirmos sobre a teoria sempre buscando o que podemos absorver e praticar no nosso cotidiano mas acho que faltou você falar de quando começou até hoje no estágio que se encontra e também como foi a experiência de como o Pibid contribuiu na sua formação acadêmica? .

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    1. OBRIGADA lilo, pode deixar que levarei em conta suas colocações.

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  7. Olá Átila!
    Agora sim consegui me encontrar na sua reflexão, pois, apesar de ser diferente por cada olhar podemos dizer que vivemos experiências semelhantes no PIBID.

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    1. olá Mary, primeiramente obrigada pelas suas colocações em meu texto, elas me fizeram refletir muito e aumentar o mesmo. E é como você disse, apesar de estamos em salas com demandas diferentes, observa-se que passamos por experiências semelhantes, acho até que é por que nós duas estamos no momento de iniciação a docência.

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  8. Átila parabéns sua reflexão é linda!
    Percebo que o programa te proporcionou está em turmas diferentes em idade e níveis de alfabetização, percebi que isso te fez ver que a sala de aula não é só flores, mas, tem muitos dilemas. Então te pergunto: como você acha que teria sido sua formação sem o Pibid?

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