terça-feira, 24 de março de 2015

MEUS PRIMEIROS ANOS DE ALFABETIZAÇÃO.

Sou filha de uma Professora primária e um pedreiro, fui alfabetizada em casa pela minha mãe, e aos cinco anos de idade já dominava a leitura. Ao completar seis anos minha mãe me matriculou na série de alfabetização, na Escola Infantil Ester Cajahyba, no município de Jitaúna, cidade onde passei toda minha infância. Minha primeira professora foi Vanda, uma pessoa da qual levo boas lembranças e uma excelente professora, eu chamava a mesma de tia, termo o qual é criticado por Freire, onde segundo ele:
Recusar a identificação da figura do professor com a da tia, não significa, de modo algum, diminuir ou menosprezar a figura da tia, da mesma forma como aceitar a identificação não traduz nenhuma valoração à lei. Significa, pelo contrário, retirar algo fundamental professor: sua responsabilidade profissional de que faz parte a exigência política por sua formação permanente. (FREIRE, 1997, P.9)

Ao ingressar na série de alfabetização, o livro didático que estudei foi a cartilha, a qual se baseava no método sintético de alfabetização, o mesmo utilizava a silabação, método pelo qual a criança memorizava pedaços soltos sem significado. Ocorrendo assim o grande problema de não “tomar a realidade como ponto de partida” (Kramer 1995). Porém por já dominar a leitura, eu só estudava os textos, pois aquelas atividades do início da cartilha eram muito desmotivadoras para mim, assim passei todo o meu ano letivo com tais textos. No final desse mesmo ano aconteceu a formatura para celebrar a passagem da alfabetização para a 1ª serie, me sentir realizada nesse dia. Porém Tal formatura não acontece hoje, pois a serie de alfabetização se tornou o 1º ano e agora faz parte do Ensino fundamental, por conta da implantação da lei do Ensino Fundamental de Nove Anos, nº 11.274/2006. Assim o objetivo da mesma de um maior número de anos no ensino fundamental é assegurar a todas as crianças um tempo mais longo de convívio escolar com maiores oportunidades de aprendizagem.(BEAUCHAMP et. al 2006).  


                                                         Formatura da alfabetização

MINHA ESCOLA NOS ANOS INICIAS DO ENSINO FUNDAMENTAL.

Após a série de alfabetização, houve uma mudança de escola, comecei a estudar na Escola Luis Navarro de Brito, onde fiquei até a 4ª série. Na 1ª série estudei com o  professor Valter,que marcou também a minha trajetória, o livro proposto era a cartilha, porém por ter estudado a mesma no ano anterior, estudei com um livro de 2ª série, a partir disso Dayrell afirma que a escola, por ser vista como única, acaba materializando o conhecimento nos livros didáticos. Me recordo também de um projeto feito pela escola denominado "Brasil 500 anos", em sua culminância os alunos foram caracterizados de portugueses, índios  e escravos, eu fui de portuguesa, houve  também apresentações.   Ao terminar o ano, a diretora da escola propôs a minha mãe que fizesse minha matricula na 3ª série, pois já estava avançada, ela analisou o caso e aceitou. A 3ª e 4ª serie estudei com a professora Janira, ótima professora, a mesma era religiosa e sempre nos fazia refletir sobre a bíblia, lembro-me de uma aula em que aprendi sobre o surgimento das maquinas as quais causaram o desemprego de alguns trabalhadores rurais.


Eu caracterizada de portuguesa
 no projeto: Brasil 500 anos

MINHA VIVÊNCIA NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL.

Ao terminar a 4ª série, fui estudar 5ª e 6ª no Colégio Cenecista de Jitaúna. Na 5ª série, lembro-me de gostar muito da disciplina de português, porém dominava mais gramática, ortografia e  estudo de escritores do que interpretação de textos, apresentando um pouco de dificuldade, pois nas séries inicias do E.F, os textos eram mais simples, já na 5ª série mais complexos. Isso se deve ao fato que o ensino de português se direciona fortemente a escrita, mas se preocupa mais com a aparência do que o que ela realmente representa, e é normal os professores de português e alfabetização dominarem muito pouco sobre a natureza da escrita, suas funções e as distintas situações que se encontram. (CAGLIARI, 2001).
  Recordo de ter feito um pequeno seminário sobre o autor João Cabral de Melo neto e duas apresentações sobre a autora Cecília Meireles, em um evento cultural do Colégio, chamado de Semana de Arte Moderna, dramatizei sobre uma poesia de Cecilia Meireles chamada “Menina doente”gostei muito, e lembro-me até hoje. Já na 6ª série tive uma professora que me marcou muito, chamada  Iara Lão, a mesma tinha uma boa relação com os alunos da turma,dialogando sempre, expressando autoridade e não autoritarismo, onde de acordo com Freire:
 para que haja uma comunicação dialógica, que não seja nem licenciosa nem autoritária, é indispensável, em sala de aula, a disciplina do silêncio. Mas silêncio não é silenciamento. Educador e educando devem ser sujeitos do diálogo. (FREIRE, 2000,P.131)
Lembro também de ter feito apresentação na Semana de Arte Moderna orientadas por essa professora, sendo uma lembrança muito agradável onde dancei músicas dos anos setenta e  uma apresentação com a música “Estrela da manhã”.
Aos doze anos mudei de colégio, fui estudar 7ª série e 8ª série no Colégio Estadual Valmir Oliveira Gomes, lá passei momentos bons, conheci novos colegas. Na sétima série lembro-me de não gostar da disciplina de Geografia, História e Educação Física, por conta dos professores deixarem a desejar o ensino, uns na base da memorização de questões, outros com aulas expositivas que não tinham sentindo, como se tivesse totalmente fora do mundo do aluno, e outros por conta da ausência.Tais professores não perceberam que segundo Freire (2004) “ensinar não se restringe a um monólogo do professor em sala, e sim algo que proporciona o seu desenvolvimento crítico, a partir de diálogos e discussões sobre a realidade social”


Na oitava série tive alguns professores maravilhosos assim como na sétima , porém alguns que não causavam nenhum impacto de aprendizagem em mim, eu gostava muito da minha professora de matemática , a qual se chamava Luciana, um pessoa competente, que ensinava matemática de forma bem clara.

ENSINO MÉDIO NO MAGISTÉRIO ( PRIMEIROS CONTATOS COM A SALA DE AULA)


No 1º ano magistério fiz estágio de observação em uma sala de 1ª e 4ª série, analisando assim a postura de cada professor em sala de aula, para aprimorar a minha prática nos estágios que estavam próximos.
No 2º ano magistério fiz dois estágios de 15 dias, os mesmos já me possibilitava a tomar conta da sala nos dois primeiros horários, em tais períodos de estágio lecionei em uma sala de alfabetização, ( ainda considerada), e em outra de 3ª série, sendo a última na mesma escola que estudei de 1ª a 4ª e com a mesma professora que me ensinou, pude perceber o quanto era difícil ser professor, e o equilíbrio que se deveria ter em sala para não se irritar com o aluno, porém a sala da 3ª série foi um grande desafio para mim, os meninos eram muito agitados, e eu tinha que me manter em equilíbrio para não perder o controle da mesma.
No terceiro ano magistério fiz estágio em uma sala de infantil  e 4ª serie, foram períodos muito tranquilos, que me fizeram experienciar um pouco o perfil de cada série.
Em fim o 4º ano magistério, nesse fiz um estágio de 15 dias, em uma sala de 1ª série com uma professora excelente chamada Conce, gostei muito da sala e voltei para o estágio final de 3 meses. Tal estágio trouxe muitos aprendizados para mim, e foi o que mais me marcou, pois passei 3 meses assumindo um papel de professora estagiária, onde eu deveria manter o controle e estimular o aluno a aprender. No final do estágio no ano de 2010 fiz junto com outras estagiarias uma festinha de encerramento, distribuímos presentes, bolos, doces etc, o qual foi muito prazeroso, pois pudemos ver o brilho nos olhos de felicidade de todas aquelas crianças.


segunda-feira, 16 de março de 2015

EXPERIÊNCIA COMO AUXILIAR NA ZONA RURAL



  Um ano depois da minha conclusão (2011),fui trabalhar como auxiliar de classe multisseriada na zona rural de Jitaúna chamado de Região da torre na Escola Santa Lúcia, essa região era um pouco longe, cheio de ladeiras, porém a paisagem lá de cima era muito linda, dava para ver  totalmente a cidade de Jitaúna, quando chovia o carro não subia as ladeiras e eu tinha que andar quase  2 horas a pé para chegar lá. Assim apesar da distância passei um ano todo lá, pois o que me motivava era a vontade de estimular os alunos a aprender, o reconhecimento dos pais dos alunos, a relação maravilhosa que tinha com a professora da sala e com os moradores que eram pessoas bastante acolhedoras. Me recordo da festa junina que eu e a professora fizemos, tal festa deixou os alunos bastante empolgados, nesse dia todos foram caracterizados.
 Nesse  mesmo ano decidir fazer o vestibular da UESB, com a certeza de que seria pedagogia, pois além de ser formada em magistério, eu tinha minha mãe como exemplo, a mesma é uma alfabetizadora, totalmente apaixonada pelo que faz, esse entusiasmo me chamava atenção, e me fazia ter certeza que queria fazer um curso voltado a educação. Assim passei e entrei na turma 2011.2 noturno no mês de outubro (período pós greve).


                                          Festa junina na escola santa Lúcia

INGRESSO NA FACULDADE



   No I semestre sofri um pouco, pois tinha preguiça de ler, e com um tempo fui me adaptando a ter o hábito de leitura. No III semestre fui selecionada para ser monitora da disciplina Português Instrumental em uma turma de letras, tal monitoria me possibilitou adquirir novo conhecimentos e identificar as diferenças e semelhanças do meu curso em relação ao curso de letras.

No IV semestre entrei para o PIBID de Pedagogia da Professora Talamira, só que foi 
depois de muito tempo que começou, o mesmo me possibilitou conhecer  a escola, perfil de profissionais, as relações entre outros.Porém com a abertura de um novo edital, tal PIBID acabou. Assim fiz minha inscrição,fui selecionada novamente e optei por anos iniciais.


                                          Viagem de campo para lençóis no II semestre

MINHAS EXPERIÊNCIAS NO PIBID ( Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência) ANOS INICIAIS.



 Me encontro no PIBID de Pedagogia Anos Iniciais da professora Socorro, adquirindo cada vez mais novos saberes, esses são possibilitados tanto pelas discussões em grupo nas reuniões quanto nas leituras dos textos. O texto de etnografia, por exemplo, me proporcionou educar o olhar para aprender a entender como o outro si percebe como alguém diferenciado, e com uma identidade que é tanto sua quanto do outro ao mesmo tempo, já o texto sobre entrevista reflexiva me permitiu entender como se manter o equilíbrio durante uma entrevista e adquirir bastante informação para a análise.Outro texto foi “A escola como espaço sociocultural”, de todos esse foi o que mais me chamou atenção, pois me  permitiu fazer um retorno ao tempo que eu estudava  ensino fundamental e médio e identificar que perfil de aluno eu era, como eram minhas relações, como era o espaço, como era a  relação professor/aluno em sala, como era o sistema da escola, entre outros.
Contudo vejo que toda minha vida escolar está sendo significativa na minha vida, pois a medida que o tempo passa vou aprendendo com os meu erros e  percebendo minha transformação tanto enquanto pessoa  quanto estudante e futuro profissional em educação, pois segundo  Paulo Freire “Mas a gente sempre erra, somos seres inacabados, há sempre novos erros a cometer, novas lições a aprender”.

  Eu e a turma do PIBID

EXPERIÊNCIA PIBID PARTE 02 -- DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÕES NA SALA DE 4º ANO - ESCOLA VILMA BRITO



EXPERIÊNCIA PIBID PARTE 03 -- PLANEJAMENTO DO 2º ANO - ESCOLA VILMA BRITO



No dia 20/03 nós bolsistas nos reunimos na escola com a coordenadora e supervisora do projeto. Em tal reunião planejamos  o que seria feito nos dias  25/03 e 26/03, dias o quais iríamos nos apresentar e conhecer as crianças do 2º ano.  Dessa forma construímos a avaliação diagnóstica com o objetivo de identificar quais capacidades que os alunos já apresentavam ou não em relação ao processo de aquisição de escrita e leitura. Para a avaliação dessas capacidades foram utilizados como base os descritores de leitura e escrita propostos por Batista, Silva, Bregunci, Castanheira e Monteiro.  Além da construção do diagnóstico e planejamento dos nossos dias de intervenção, a professora supervisora socializou o plano dela da semana e deixou aberto para sugestões de novas ideias.
Dessa forma vejo que a professora supervisora faz seu planejamento, partindo assim da mesma  a necessidade de mudança, se não tomasse isso como algo relevante, ela iria repetir os planos dos anos que passaram , pois já tem anos de experiências. Sobre isso Vasconcelos (2000) afirma que “O fator decisivo para a significação do planejamento é a percepção por parte do sujeito da necessidade de mudança”. Por ver a necessidade de mudança que o professor re-significa o planejamento e assim ver diversas possibilidades para uma prática transformadora em sala de aula.
Contudo esse dia foi bastante significativo para mim enquanto estudante de pedagogia, pois ao entrar em contato com essa prática do planejamento, pude fazer relação com a teoria e refletir a cerca das ações observadas. Pude observa a postura da professora que por conta dos anos de experiência apresentava bastante segurança a cerca do que iria ser feito em sala de aula.
A observação de tudo isso permite que eu aos poucos vá me constituindo enquanto pedagoga, que estando consciente do papel do planejamento, ao adentrar futuramente em sala de aula, possa justamente ver a necessidade e possibilidade do planejamento, com o objetivo de sempre tá inovando as práticas pedagógicas, pois tudo tem seu tempo de uso e quando não serve mais por não acompanhar o ritmo do tempo presente, é necessário haver mudanças.




APLICAÇÃO DE DIAGNÓSTICO DE LEITURA E ESCRITA NO 2º ANO.



No dia 25/04 iniciamos com uma dinâmica de apresentação na qual orientamos os alunos a fazerem um bonequinho com a folha de oficio dobrada e fazer uma arte no mesmo, tendo como objetivo desenvolver a coordenação motora das crianças. Após a arte as crianças eram chamadas para mostrar seus bonequinhos aos colegas e falar qual profissão queria ser quando crescesse e quais as suas expectativas a respeito do que queria aprender na sala da professora supervisora, tal atividade teve como objetivo a socialização das expectativas e desejos das crianças para conhecimento de nós bolsistas do PIBID e das próprias crianças a respeito delas e de seus colegas de classe.
No segundo momento aplicamos a atividade de diagnóstico com objetivo de identificar quais capacidades que os alunos já apresentavam ou não em relação ao processo de aquisição de escrita e leitura baseado nos descritores de leitura e escrita.
 Dentro do diagnóstico estávamos avaliando se os alunos conheciam as vogais, se identificavam letras sem as confundir com outros símbolos da escrita, se conheciam os diversos tipos de letras, em quais níveis de escrita as crianças se encontravam, se associavam o som a escrita, se conseguiam copiar frases ditadas pelo professor, quais palavras escrevem de cor e se fazem a leitura de texto, observando se fazem leitura de palavras canônicas e não canônicas.
 Os níveis de escrita foram baseados na proposta de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky que se basearam na ideia de que a obtenção do conhecimento se dava pela interação do sujeito e o objeto de conhecimento, assim evidenciaram que antes de chegar na escola a criança já fazia hipóteses sobre o código de escrita. (MENDOÇA & MENDONÇA, 2007).
Contudo a aplicação do diagnóstico me proporcionou conhecer quais habilidades que os alunos da sala de 2º ano do Ensino Fundamental  apresentavam a respeito da aquisição da leitura e escrita. Ao observar por alto alguns alunos realizando as atividades de diagnóstico foi possível identificar em algumas crianças em quais   níveis de escrita elas estavam. De essa forma pude  refletir a cerca da importância do embasamento teórico nas nossas atividades práticas do PIBID e o quanto isso vai influenciar na minha percepção enquanto futura pedagoga para construção de conhecimento, pois passei  a ver de outra forma elementos que antes do estudo teórico não me causaria nenhum impacto.
Vejo então que essa experiência na sala do 2º ano me fez perceber o quanto o professor deve ser habilidoso para alfabetizar várias crianças, assim segundo Soares (2003, p. 80 apud MENDOÇA & MENDONÇA, 2007, p. 56) a “alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja, o domínio da tecnologia—conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita”.  Além disso, percebi também a variedade de saberes que o professor tem que desenvolver para a gestão de classe, a qual Doyle (1986) ressalta que  consiste num conjunto de regras e de disposições necessárias para criar e manter um ambiente ordenado favorável tanto ao ensino quanto à aprendizagem.

Está sendo uma experiência nova e gratificante, pois o aprender a ler e escrever para uma criança a faz ver o mundo de outra forma.


                                        Aplicação de diagnóstico

                                                          Cartaz de apresentação com bonecos